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Teste encontra insetos e substância tóxica em conhecidas marcas de café

O café está presente na maioria dos lares brasileiros.

Quem não gosta de um bom cafezinho acompanhado, por exemplo, de um delicioso bolo de fubá?

Quase todo mundo.

Mas como está a qualidade do nosso café?

Infelizmente, parece que o café nosso de cada dia está sendo produzido sem os cuidados necessários.

É essa a conclusão de uma análise feita pela Proteste – Associação Brasileira de Defesa do Consumidor –, no ano passado, nas 14 principais marcas de café comercializadas no Brasil.

As marcas analisadas foram 3 Corações, Bom Jesus, Caboclo, Café Brasileiro, Café do Ponto, Fort, Jardim, Maratá, Melitta, Pelé, Pilão, Pimpinela, Qualitá e Seleto.

Dessas 14, apenas Melitta, Pelé e Pilão estavam dentro dos índices regulamentados para a presença de sujidades (sujeiras em português mais simples), que, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), deve ser de 60 fragmentos a cada 25 gramas de café.

Nas outras 11 marcas, havia quantidade de fragmentos de inseto acima do tolerado pela Anvisa.

De acordo com Fernanda Ribeiro, técnica da Proteste responsável pela avaliação, esses fragmentos não oferecem risco à saúde, pois não são de insetos considerados vetores de doenças, mas daqueles inofensivos, como carunchinhos, que ficam dentro do grão.

O problema é que a alta quantidade desses fragmentos nas 11 marcas mostra que os fabricantes não estão adotando as práticas de higiene necessárias.

Além da presença de insetos nas principais marcas de café vendidas no país, a análise da Proteste detectou um mal ainda pior: a ocratoxina A, uma substância que pode causar tumores.

No café Jardim, foram detectados 27,03 microgramas, quase o triplo do limite permitido para essa toxina.

Para Fernanda Ribeiro, é preciso controle rígido após a colheita do grão a fim de diminuir a quantidade de ocratoxina A: “O momento mais crítico é entre a colheita e a secagem. É preciso fazer o manejo correto, reduzindo o tempo de exposição do grão a micro-organismos. Assim, é possível minimizar o crescimento do fungo”.

Esta é a quinta vez que a Proteste realiza esse tipo de análise e, segundo a entidade, é um dos piores resultados da história.

E o que os fabricantes e a Anvisa disseram sobre a pesquisa?

O Café Jardim comunicou que solicitou o resultado completo da pesquisa e a metodologia utilizadas pela Proteste para submeter seus produtos a testes próprios.

A empresa garantiu que entrou em contato com revendedores e fez o recolhimento do lote.

A Anvisa recebeu os laudos da análise feita pela Associação de Defesa do Consumidor e afirmou, por meio de nota, que, como apenas uma marca “apresentou inconformidade que representa risco à saúde”, solicitou à vigilância sanitária local a colheita de mesmo lote do produto citado na pesquisa para análise própria.

Também foi solicitada a inspeção sanitária do Café Jardim.

Ainda segundo a nota da Anvisa, todas as vigilâncias sanitárias foram informadas para que sejam adotadas as medidas necessárias.

Fonte: Revista Proteste